Observatório Ambiental apresenta resultados preliminares sobre o mapeamento urbano e ecológico de Formosa

Apresentação preliminar de dados científicos
Representantes das entidades parceiras reunidos na UEG pelo Observatório Ambiental.

Na última quarta-feira, 10 de junho, o Laboratório de Geomorfologia da UEG transformou-se em um importante palco de debates sobre o futuro urbano e ecológico de Formosa, durante a apresentação dos resultados preliminares do Observatório Ambiental. O encontro, que evidenciou a força das parcerias institucionais, reuniu a comunidade acadêmica, o sistema de Justiça e movimentos sociais em torno de um diagnóstico científico urgente. Compuseram a mesa de diálogo o Diretor do Campus da Universidade Estadual de Goiás, Prof. Juliano Pirajá, e o Promotor de Justiça da 2ª Promotoria da Comarca de Formosa do Ministério Público, doutor Ramiro Carpenedo, cuja parceria entre as duas instituições responde pela coordenação do Observatório. O Instituto Cultural Caminhando e Cantando (ICCC), que atua como a entidade executora dos recursos empenhados pelo Ministério Público, esteve representado pelos membros da diretoria executiva: o presidente, Prof. George Augusto, o diretor de finanças, Prof. Audiney Pereira, e a diretora de educação, Profa. Bruna Furtado. A coordenação técnica da pesquisa esteve a cargo dos pesquisadores, prof. Dr. Wilson Neto e profa. Dra. Priscila Barbosa, acompanhados por estudantes bolsistas do curso de Geografia, contando ainda com a participação da ativista Eliane de Oliveira, presidenta da CUFA-GO, entidade que integra o projeto como parceira de apoio, e da pesquisadora de apoio, profa. Dra. Juheina Lacerda, do IFG-campus Formosa.

A apresentação dos coordenadores expôs, de forma estritamente metodológica, um panorama preocupante sobre a gestão ecológica local, amparado por um rigoroso levantamento de mapas e imagens de satélite de alta resolução, além de mapeamentos detalhados obtidos por meio de drones. Esses recursos visuais avançados permitiram cruzar com precisão dados socioeconômicos, ambientais e topográficos, revelando problemas gravíssimos decorrentes da implantação de empreendimentos sem os devidos estudos de impacto ambiental. O estudo também evidenciou as enchentes crônicas que afetam o município, causadas pela rápida impermeabilização do solo em virtude de um crescimento urbano sem planejamento. Diante desse cenário, discutiu-se a urgência na formulação de políticas públicas estruturadas, destacando que o Plano Diretor de Formosa vencerá em 2027 e que a Câmara de Vereadores precisa conduzir a elaboração do novo texto com total responsabilidade e foco na sustentabilidade.

Durante as intervenções, o Dr. Ramiro Carpenedo demonstrou grande entusiasmo com os dados apresentados, ressaltando que o material técnico e o detalhamento das imagens serão de extrema utilidade para embasar as ações do Ministério Público no combate ao descuidado com o manejo ambiental. O Prof. Juliano Pirajá pontuou a relevância da UEG na produção de pesquisa científica voltada à comunidade e reforçou o valor das parcerias institucionais. Em apoio às demandas comunitárias, o Prof. George Augusto parabenizou o Observatório e ressaltou o compromisso da instituição com a sociedade civil organizada. Na oportunidade, enfatizou que o ICCC se firma como uma entidade madura, plenamente capacitada para se inserir e colaborar de forma ativa em empreendimentos técnicos e científicos dessa magnitude, colocando a estrutura à disposição para subsidiar os trabalhos futuros. A ativista Eliane de Oliveira alertou para a realidade das periferias de Formosa, que historicamente sofrem de forma mais severa com a falta de infraestrutura, especialmente nos períodos de fortes chuvas.

Ao final do encontro, foram definidos encaminhamentos práticos para a consolidação e divulgação dos estudos. O coordenador técnico, pesquisador Wilson Neto, deu forte ênfase à consolidação das informações coletadas, destacando que, após a conclusão das pesquisas, todo o conteúdo compilado será transformado em um dossiê ambiental publicado em formato de livro, servindo como literatura oficial e base científica para o município. O pesquisador ressaltou ainda que esse processo de criação e organização de dados pelo próprio Observatório Ambiental constituirá um robusto banco de dados científicos e estatísticos sobre o meio ambiente de Formosa, consolidando o projeto como uma plataforma de consulta pública permanente para o livre acesso da comunidade, de pesquisadores e do Poder Público.

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